Cientistas tentam desacelerar o envelhecimento


Enviado por luisnassif, dom, 06/11/2011 - 11:00
Por Assis Ribeiro
Cientistas criam técnica para desacelerar envelhecimento


Publicado: 05/11/2011


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Foto: Pesquisadores descobriram, pela primeira vez, que usando uma droga para atingir e matar as células senescentes eles poderiam congelar alguns aspectos do processo de envelhecimento. (Arquivos)

Shirley S. Wang, WSJ
Cientistas podem ter descoberto um jeito de adiar algumas circunstâncias do envelhecimento, de acordo com um estudo em que retardaram ou mesmo preveniram condições como catarata e enrrugamento induzido por perda de gordura em camundongos ao removerem células que haviam parado de se dividir.
A maioria das células jovens e saudáveis se dividem continuamente para manter os tecidos do corpo e os órgãos funcionando de maneira apropriada, mas eventualmente param de se dividir – um estado chamado senescência – e são substituídas por outras. A senescência acontece ao longo da vida, mas a capacidade de as pessoas eliminarem essas células diminui com a idade, levando a um acúmulo.
Pesquisadores da Mayo Clinic em Rochester, no Estado de Minnesota, descobriram, pela primeira vez, que usando uma droga para atingir e matar as células senescentes eles poderiam congelar alguns aspectos do processo de envelhecimento.
Apesar de a pesquisa, publicada quarta-feira na revista"Nature", estar no seu estágio inicial, ela sugere que a remoção de células senescentes poderia ser um caminho para continuar saudável durante o envelhecimento.
"Se você pudesse remover células senescentes, talvez pudesse tratar doenças relacionadas ao envelhecimento como um todo e não individualmente", disse Jan van Deursen, autor do estudo e professor dos departamentos de bioquímica, pediatria e medicina juvenil da Mayo Clinic.
A importância das células senescentes para o processo de envelhecimento já era suposta, mas as últimas descobertas demonstram definitivamente que essa células têm um papel nas condições relacionadas ao envelhecimento, de acordo com Felipe Sierra, diretor da divisão de biologia do envelhecimento do Instituto Nacional do Envelhecimento, que não participou do estudo.
Quando as células se tornam senescentes, elas produzem compostos prejudiciais como os que causam inflamação. Acredita-se que a inflamação crônica de tecidos esteja relacionada à demência, arteriosclerose e diabetes, entre outras doenças, segundo James Kirkland, chefe do centro de envelhecimento da Mayo, que também é um dos autores do estudo.
As células senescentes são apenas uma pequena parte das células – algo como 5% ou menos – no tecido das pessoas idosas, mas seus efeitos podem se espalhar, disseram pesquisadores.
Como a senescência, acredita-se, possa ter se desenvolvido como uma defesa contra o câncer, em que as células se dividem incontrolavelmente, simplesmente interromper o processo pode ser perigoso.
Mas cientistas têm imaginado por décadas se o dano causado pelas células senescentes poderia ser parado se elas fossem removidas do corpo ao mesmo tempo ou se as substâncias prejudiciais que elas produzem fossem neutralizadas.
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Foto: O camundongo da frente não passou pelo tratamento, enquanto o de trás teve suas células senescentes retiradas e, apesar de ter a mesma idade do outro, exibe um aspecto mais normal. (Mayo clinic)
No estudo divulgado na quarta-feira, a equipe usou camundongos preparados para envelhecer mais rápido que o normal e os tratou com uma droga que identifica células que pararam de se dividir. A droga então inicia o processo natural que leva à morte celular ao perfurar as membranas daquelas células.
Os pesquisadores trataram alguns camundongos durante a vida toda e descobriram um "retardo considerável" no desenvolvimento da catarata e de mudanças nos músculos e na gordura relacionadas ao envelhecimento, disse van Deursen.
Em outros camundongos, o composto foi fornecido já na velhice. A remoção das células senescentes naqueles camundongos não reverteu o declínio que já havia acontecido, mas preveniu uma deterioração maior.
Ao que parece, a droga eliminou somente células senescentes, não as células normais, e os animais não sofreram nenhum efeito colateral, disse o pesquisador.
Outros estudos ainda são necessários para testar se a eliminação das células senescentes teria tido o mesmo efeito em camundongos que envelhecem normalmente e se há efeitos diferentes em tecidos diferentes, como no cérebro se comparado com o tecido muscular, disse Sierra, do Instituto Nacional do Envelhecimento.
Outra questão é se a remoção constante de células senescentes é necessária para produzir benefícios à saúde ou se a remoção intermitente - uma limpeza não contínua - é tão efetiva quanto, dizem os autores do estudo.
O trabalho foi financiado pela Mayo Clinic e também por diversas fundações privadas e filantrópicas interessadas em promover pesquisa sobre o envelhecimento.
Fonte: The Wall Street Journal.
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