Luos é a prioridade da Câmara

Líder do governo na CLDF analisa o primeiro ano do mandato de Agnelo Queiroz e sinaliza que, para 2012, a Lei de Uso e Ocupação do Solo deve ter um cuidado especial do GDF

O balanço do GDF e a análise de alguns itens pontuais do primeiro ano de mandato de Agnelo Queiroz marcaram a entrevista do deputado distrital Wasny de Roure ao Jornal da Comunidade. Preocupações nas áreas da segurança pública, saúde, educação, como é ser base governista diante de um governo que sofreu o primeiro ano com denúncias e vários outros pontos foram analisados, mas para o líder do governo na Câmara Legislativa, a Luos deve ser a prioridade em 2012. A Lei Complementar constitui um instrumento com competência para estabelecer os parâmetros e diretrizes urbanísticas, além de oferecer novas diretrizes com a nova legislação, que prevê a divisão do DF em sete unidades de planejamento.


Que quadro o novo governo encontrou em 2011?

O quadro não se limita apenas aos escândalos e todas as pessoas envolvidas, mas à cultura subjetiva que se arraigou, porque isto se tornou um componente muito forte. Isto vai desde a ocupação do terreno, negligência do horário no serviço público, Pró-DF, entre outros aspectos.

Se existe uma cultura arraigada no DF de malfeitos do passado, quanto tempo leva para mudar isto?

Isto não é uma tarefa fácil, muito menos nem de um governo apenas. Quando você tem uma região de classe média como Vicente Pires, hoje consolidada e com um projeto de regularização avançado, você percebe que existe algo errado. Não foi uma ocupação feita por alguém que precisava, mas foi alguém que vendeu porque entendia que era possível vender, que teria alguém que compraria, e que teria um poder público que iria aquecer aquele negócio. Isto mostra uma cumplicidade dos poderes público federal e local.

Já passou da hora de falar em herança maldita, orçamento, projetos de obras não acabadas depois de um ano de trabalho?

Não acho que o Arruda (ex-governador) tenha deixado uma herança maldita. Ele pode sim ter deixado pontos negativos no que se refere à gestão financeira, mas do ponto de vista dos investimentos, todos temos clareza que seria um governo muito difícil de ser derrotado eleitoralmente se não estourasse o escândalo.


Como é ser base governista diante de um governo com tantas denúncias?

Em primeiro lugar o governador Agnelo, enquanto gestor no governo federal, terá de responder a todos os deslizes cometidos diante do Tribunal de Contas da União, do Ministério Público ou até mesmo do Superior Tribunal de Justiça. Agora, trazer estes problemas para Brasília no dia a dia da vida política é torná-la ainda mais conturbada. É importante lembrar que não serão as nossas ações que irão agregar qualquer coisa, até porque quem tem responsabilidade sobre isto são os deputados federais, porque são organismos federais que deverão ceder as informações e a documentação necessária para tratar estas denúncias.

Mas como fica a Câmara diante deste cenário?

Nesse sentido, a CLDF é muito mais coadjuvante de toda esta dinâmica e nenhum deputado da base governista levantou problemas em relação a este caso específico. Não tenho nenhuma dificuldade de entender que os parlamentares devem fazer seu trabalho de fiscalização. A Câmara deve fiscalizar o GDF, e, em relação a isto, estou tranquilo em afirmar que deverão existir ações neste sentido.

O senhor acredita que possa existir uma operação orquestrada atrás destas denúncias?

Brasília tem um histórico muito negativo do ponto de vista da maneira de se fazer política. Acho que muitas vezes o poder econômico tem um papel importante, uma influência muito grande na vida política, mas desconheço o poder que estas forças, que não são transparentes, possam ter sobre a vida pública de Brasília.

Como líder do governo, qual a avaliação do relacionamento do GDF com a CLDF?

Tenho uma avaliação muito positiva. Quanto ao debate do Legislativo e os entendimentos para votação, procurei estabelecer uma relação absolutamente transparente.

Qual foi o saldo dos projetos votados este ano pela Casa?

A Câmara bateu o recorde este ano. O último levantamento era em torno de 115 projetos de lei votados e em 2011 chegamos à marca de 148. Se levar em conta que é o primeiro ano de governo e que algumas matérias estão associadas a isto, como é o caso do PPA, o mais evidente deles, o PDTU, de grande envergadura, além dos resíduos sólidos, gestão democrática, regime jurídico único e o Parque da Ciência e Tecnologia, considero que tivemos uma vitória grande.


O PDOT será o grande tema na Câmara Legislativa em 2012?

Eu não diria o PDOT, mas a Lei de Uso e Ocupação do Solo (Luos), porque trata com certa espeficidade as questões de interesse da população. Acho que este será um grande debate.


O senhor é candidato a conselheiro do Tribunal de Contas dp DF?

Ninguém é candidato a conselheiro do Tribunal de Contas do DF. Quando tiver uma vaga, naturalmente vou pensar. É uma decisão a ser tomada naturalmente e respaldada em uma retrospectiva dos anos na vida pública, na leitura das atribuições do Tribunal de Contas do DF e se você está à altura, seja por mérito, mas também tendo domínio das matérias que transitam

Fonte: Jornal da Comunidade Luis Ricardo Machado
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