Articulado, o governador de Goiás, que tinha muito a explicar, foi elogiado por parlamentares; petistas agora criticam estratégia do relator Odair Cunha por tê-lo convocado antes da quebra de sigilos; nesta quarta, Agnelo Queiroz será pressionado por tucanos empolgados com “virada de jogo”
“O senhor sai desta CPI maior do que entrou”. A frase, dita pelo parlamentar Sílvio Costa (PTB-PE), de certa forma, resume o dia do Congresso Nacional. Articulado, bem falante e muito tranquilo, o governador de Goiás, Marconi Perillo, passeou pela CPI do caso Cachoeira. Isso significa que ele provou sua inocência? Não. Mas significa que ele expôs, com muita convicção, sua própria versão sobre fatos como ainda não totalmente esclarecidos, como a venda de sua casa, a relação de alguns de seus assessores com Carlos Cachoeira e um suposto de pagamento de caixa dois a um jornalista na sua campanha para o governo, em 2010. “Ele deu a versão dele e nós vamos, agora, buscar outros elementos de prova”, disse o relator Odair Cunha (PT-MG).
O relator, no entanto, é quem sai mais questionado do dia de hoje. Petistas criticam sua conduta por ter aprovado a convocação de Marconi Perillo antes da quebra dos seus sigilos fiscal, bancário e telefônico. Também condenam o fato de Marconi ter tido seu depoimento marcado um dia antes do governador petista Agnelo Queiroz, do Distrito Federal. E os tucanos, por sua vez, apontam uma conduta partidária nos trabalhos de Odair Cunha, que foi muito criticado por ter definido Marconi Perillo como “investigado”, e não como testemunha. “Se ele não sabe diferenciar uma testemunha de um investigado, não pode ser relator”, disse o deputado tucano Carlos Sampaio (PSDB-SP), que também é promotor. “O relator atende a interesses partidários e do ex-presidente Lula”.
Cunha afirmou que tem elementos fortes de convicção contra o governador Marconi Perillo. “A casa, ao que tudo indica, foi comprada pelo senhor Carlos Cachoeira; o governo tinha vários elementos cooptados pela organização criminosa; além disso, o jornalista Luiz Carlos Bordoni tem comprovante de um pagamento feito a ele por serviços prestados na campanha”.
Mas tudo isso já estava colocado antes do depoimento do governador de Goiás. A imagem que ficou, nesta terça-feira, foi a de um Marconi tranquilo e elogiado pelos parlamentares.
A vez de Agnelo
Na quarta, será a vez de Agnelo Queiroz, governador do Distrito Federal. Sua situação, em tese, é muito mais tranquila do que a de Marconi Perillo. As relações entre seu governo e a Delta são menores do que em Goiás, já foram encerradas, e o que os grampos da Polícia Federal revelam são uma tentativa – frustrada – da quadrilha de Carlos Cachoeira de se infiltrar no Distrito Federal.
No entanto, petistas temem que os parlamentares tucanos, animados com o desempenho de Marconi Perillo, tentem consolidar, nesta quarta-feira, uma imagem inversa à do governador de Goiás: a de um Agnelo tenso, nervoso e titubeante.
Ou, no mínimo, de um empate, quando as situações de ambos eram distintas.
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