Propina para Temer

Coluna do Mino

EXCLUSIVO: GRAVAÇÃO REVELA PROPINA DE 3 MILHOES PARA TEMER
27/06/201222:53
 

O alto comando da Policia Militar do Distrito Federal, em reunião secreta, há menos de um ano, ouviu o coronel Alberto Fraga, presidente do DEM-DF, confessar um crime que mudou o curso na política de Brasília.
Na luta pelo apoio da corporação para as próximas eleições de 2014, Fraga sentiu-se traído em detrimento ao deputado distrital e presidente da Câmara Legislativa, Cabo Patrício (PT). Os oficiais vêm prestigiando o petista e num discurso inflamado Fraga deixou escapar que entregou  R$ 3 milhões para o então presidente da Câmara Federal Michel Temer para expulsar Joaquim Roriz do PMDB e viabilizar a reeleição de José Roberto Arruda em 2010. O QuidNovi revela  com exclusividade o conteúdo do discurso do coronel Fraga diante do alto comando da PM.

Mas esta história começa um pouco antes, quando Tadeu Felippelli,cria de Roriz, traiu a confiança da velha raposa jogando o partido no colo de Arruda com a intenção de ser o vice nas eleições de 2010.  Roriz mordeu a isca e rompeu com o PMDB deixando o caminho livre para a dupla Arruda-Filippelli.
Como ninguém confiava em ninguém, muito menos Arruda em Felippelli, o então governador pediu para seu braço direito e homem de estrita confiança  - o democrata Fraga - negociar com a cúpula peemedebista a expulsão de Roriz do partido.
Fraga e Arruda colocam em pratica uma estratégia que custou alguns milhões de reais para o então governador. Os beneficiados foram os deputados Eduardo Cunha (PMDB/RJ), o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB/RN) e o presidente nacional do partido, Michel Temer (PMDB/SP).
Durante a reunião do alto comando, no ano passado, Fraga tentava ganhar o apoio da corporação. Dizia não ter medo nenhum de defender a policia. Lembra que todos ali reunidos são oficiais e precisam ajuda-lo para que em 2014 ele represente a Policia Militar do DF no Congresso Nacional. Falava em alto e bom som que tinha força no Congresso e que estava há doze anos à frente dos interesses da corporação. De repente o coronel revela:
- “Eu tenho muita amizade dentro do Congresso Nacional. Sou presidente de um partido de oposição (DEM). Mas se eu pedir uma audiência para o Michel Temer ( vice-presidente da República) eu tenho certeza que sou ouvido. A minha amizade com Michel Temer não é porque eu dei R$ 3 milhões pra ele expulsar o  Roriz do partido (PMDB), não. A minha amizade é que fui deputado igualzinho a ele e ele me respeita pelas minhas propostas”.
Arruda foi delatado por seu secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa durante a Operação Caixa de Pandora, um dos maiores escândalos da política nacional. Varias fitas gravadas em áudio e vídeo comprometeram dezenas de empresários e políticos recebendo propina de Durval, inclusive o próprio governador Arruda.
O que o ex-governador Arruda não poderia imaginar, nem um minuto sequer, era que seu braço direito, um dos poucos amigos que foi visitá-lo na carceragem da Polícia Federal, o seu Secretário de Transporte, Alberto Fraga fosse também entregá-lo neste golpe planejado com Tadeu Filippelli. Mais ainda, Arruda, não podia sonhar que ele seria derrubado e o seu comparsa Filippelli chegasse ao cargo prometido, o de vice-governador do DF, só que ao lado de outro grande inimigo do governador deposto, o petista de primeira hora (ou seria última hora?) e ex PCdo B Agnelo Queiroz.
Em tempos que até criança faz gravações em celulares, o homem da informação, o coronel Alberto Fraga, vacilou. Não tinha ideia que um dos coronéis do alto comando da PM presente na reunião secreta usasse o celular para gravar toda conversa.
Desde a Operação Caixa de Pandora, gravações de áudio e vídeo passaram a revelar com frequência os bastidores da política nacional. Durval Barbosa, em uma de suas gravações, apresentou um empresário que tinha conhecimento do pagamento de propina para a cúpula do PMDB na expulsão de Joaquim Roriz do partido. Os citados pelo empresário ingressaram com um processo de calunia na justiça. Mas o empresário colocou no seu roll de testemunha, dentre outros, Durval Barbosa que tinha as provas dos pagamentos.

Michel Temer tratou de mandar Felippelli fazer um acordo com o empresário para que não houvesse danos para o PMDB. A procuradora Raquel Doge do Ministério Público Federal retirou a fita gravada por Durval dos autos, livrando os caciques peemedebistas da Caixa Pandora. Com isso, até Arruda foi beneficiado de pelo menos mais um crime. Aliás, até agora, a Caixa não foi aberta. Os envolvidos no escândalo do DF não fazem qualquer movimento para não levantar poeira.  E o tempo vai passando enquanto Arruda ensaia seu retorno para a política.
Só que vez por outra, uma fita como esta, gravada pelo coronel, que o QuidNovi traz com exclusividade, mostra os tentáculos de governos anteriores entrelaçados com os atuais no Planalto Central.
Michel Temer, hoje vice-presidente da Republica, tem pesadelos ao saber que existem provas do golpe aplicado em Roriz antes das eleições de 2010.
Agora, com o escândalo provocado pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira na Operação Monte Carlo, o fantasma voltou a assombrar as portas do Palácio do Jaburu se estendendo a cúpula peemedebista envolvida na armação rocambolesca que culminou com a inelegibilidade da velha raposa Joaquim Roriz também acostumada a utilizar métodos nada ortodoxos contra seus adversários. Nesta guerra pelo poder quem tem perdido sempre é o eleitor do Distrito Federal.
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