Brasília 247 – A Polícia Civil do Distrito Federal vai abrir inquérito para investigar a morte de Sofia, filha do chefe de gabinete do presidente da Embratur, Paulo Guilherme de Araújo. A família da menina de apenas dois meses registrou boletim de ocorrência na 1ª Delegacia de Polícia afirmando ter havido atraso no diagnóstico e possível descumprimento do tratamento de suspeita de H1N1.
O bebê deu entrada na madrugada de quarta-feira 22 no Hospital Santa Helena com tosse e sintomas de gripe forte. O hospital afirma que a situação da criança foi agravada porque teria engasgado com leite na última mamada. O plano de saúde de Paulo Guilherme não era aceito pela unidade e saúde.
"Aqui todos os procedimentos para estabilização do seu quadro foram adotados. Tão logo estava respirando normalmente ela teve uma recomendação, por cautela, de que deviam interná-la na UTI. Voluntariamente os pais decidiram transferir a criança", argumentou o advogado do Santa Helena.
Por sua vez, o Hospital Alvorada, para onde foi levado o bebê, afirma, em nota, que a criança chegou em estado gravíssimo "tendo sido prontamente admitido na UTI Neonatal e Pediátrica". A família afirma que a unidade de saúde pediu que conseguissem o remédio contra gripe suína, Tamiflu. O Hospital admite que não tinha medicação para H1N1, mas que o remédio foi solicitado imediatamente à rede pública de saúde. Por lei, todo hospital é obrigado a ter o medicamento em estoque.
A suspeita é de que a morte da criança tenha sido por H1N1 ou coqueluche.
O inquérito tem 30 dias para ser concluído. A polícia vai ouvir a equipe médica dos dois hospitais, familiares e testemunhas do caso.
Sepultamento
O enterro aconteceu na manhã desta quinta-feira 23. Como parte da família mora no Rio de Janeiro, poucas pessoas compareceram ao sepultamento.Confira, na íntegra, as notas do Hospital Alvorada:
NOTA OFICIAL | HOSPITAL ALVORADA BRASÍLIA | 22.08 | 16h08
Em atenção à solicitação da imprensa, informamos que a paciente em questão deu entrada no Hospital Alvorada Brasília às 02h48 da madrugada de 21.08.2012, proveniente de outro hospital privado – tendo sido transportada pela ambulância daquela instituição. Cabe informar que a transferência, segundo relatório, se deu por falta de convênio daquele hospital com a operadora Unimed Central Nacional.
O bebê chegou ao Hospital Alvorada Brasília em estado gravíssimo e foi prontamente admitido na UTI Neonatal e Pediátrica. De acordo com os registros em prontuário, a paciente estava com suporte de oxigênio pós-parada cardiorrespiratória atendida no hospital de origem. Apesar de todos os esforços, faleceu às 8h50 da manhã do dia 22.08.2012.
Por determinação da Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde, o corpo seguiu para o Hospital de Base, para necropsia.
Apresentamos nossa solidariedade à família neste momento de profunda dor e colocamo-nos à disposição para quaisquer esclarecimentos que se façam necessários.
NOTA OFICIAL | HOSPITAL ALVORADA | 23.08 | 11H00
Em atenção à Imprensa e em respeito à Opinião Pública, o Hospital Alvorada Brasília esclarece sobre a paciente em questão:
- Na admissão da criança, diante da história e do quadro clínico apresentados, a hipótese diagnóstica era de pneumonia broncoaspirativa - exames de imagem constataram a pneumonia.
- As condutas tomadas pela equipe da UTI Neonatal e Pediátrica do Hospital Alvorada seguem protocolos adotados por centros de referência. Uma vez diagnosticada febre e diante da piora clínica, com vistas a salvar a criança foi indicado o uso de medicação para H1N1 – embora, desde o início, o quadro não indicasse a doença.
- A medicação foi solicitada à Vigilância Epidemiológica às 7h15 do dia 22.08. Cabe informar que há um tempo mínimo para início da ação da medicação e ela é indicada para crianças com idade inferior a 12 meses apenas em casos graves.
Por fim, o Hospital Alvorada reitera absoluto compromisso com a transparência e aguarda o resultado que indicará a causa da morte.
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