
Oportunista, senador joga para a platéia quando critica governador
Por Leonardo Mota Neto
A política brasileira - e brasiliense, por extensão - herdou uma sabedoria que vem dos mais velhos. Uma sabedoria que muitas vezes vem embrulhada como anedota. Um exemplo: em política feio é perder. É da escola mineira de Tancredo Neves.
O Distrito Federal contribui com esse anedotário, escrevendo no livro da esperteza (“best seller” atual da política em Brasília e no Brasil): feio é entregar cargos, mesmo quando se hostiliza o dono legítimo deles.
Ora, um partido político devolver os cargos que ocupa nos governos, quando este se sente envergonhado em dele participar, é uma medida saudável de democracia e de vergonha na cara.
Mas o jovem senador Rodrigo Rollemberg, de tez grisalha, mas ainda não envelhecido no tonel de sabedoria mineira, mantendo o estilo irrequieto, não pensa assim.
Quer manter as cotas do PSB no GDF mesmo após ter praticamente rompido com o governador Agnelo Queiroz, apresentando-o em intervenções no Senado como um traquinas que assinou um contrato de consultoria em Cingapura para pensar o futuro de Brasília, hoje tornado sombrio pelo estrangulamento urbano.
Romper com o governo é ato corriqueiro da política, mas é atitude feia – e até mesmo de caráter duvidoso – quando se rompe e ao mesmo tempo se mantém aferrado aos cargos.
Ou Rollemberg entrega os cargos do PSB no GDF – duas secretarias de Estado, uma importante Administração Regional e uma diretoria na Terracap – ou passará o conceito de que está tão somente fazendo o joguinho rasteiro de beliscar e não morder, bem típico da zanga oportunista e pouco ética.
Entregue os cargos, Rollemberg, antes que seu presidente nacional, o emergente (no páreo do poder nacional) governador Eduardo Campos, entregue pelo senhor, e intervenha no Diretório Regional do PSB.
E aceite, bravo senador, um conselho de política mineira: feio é tentar segurar o que não se possui mais.
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