Zé de Abreu aponta trama para Valério falar

Onde está a ley de medios brasileira?


Abaixo reproduzo duas reportagens do site Brasil 247 deste final de semana. O governo brasileiro a despeito de toda popularidade não estará brincando com fogo?









Acordo de R$ 17 milhões teria convencido o empresário a envolver o ex-presidente Lula no 'mensalão', de acordo com o ator; dinheiro teria sido reunido por grupo de empresários, políticos, além de Roberto Civita, dono da Veja; condição era que declarações saíssem primeiro na revista semanal, que em setembro deu capa com Marcos Valério; procurada, editora Abril não se pronunciou

15 de Dezembro de 2012 às 07:17


247 – Declarações de um advogado feitas na madrugada desta sexta-feira denunciam suposta trama que envolve um acordo de R$ 17 milhões para convencer o empresário Marcos Valério a denunciar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no caso do 'mensalão'. A conversa, que teria acontecido num restaurante de Brasília, foi noticiada nesta manhã pelo ator e ativista político José de Abreu, via Twitter.


Ao 247, Abreu não deu mais informações sobre quem seria o advogado, mas garantiu que não se trata de Marcelo Leonardo, representante do publicitário mineiro na Ação Penal 470, da qual seu cliente foi condenado com uma pena que passa dos 40 anos. Marcelo Leonardo sequer teria concordado com o acerto. Quanto à fonte que lhe revelou o diálogo, ele se limitou a dizer: "É um político da oposição".


"Estou repassando o que me contaram, foi nessa madrugada. Uma pessoa ouviu do advogado, que começou a falar mais alto num restaurante de Brasília. Era um lugar menos nobre, não era tipo um Piantella", descreveu José de Abreu, em referência ao famoso ponto de encontro de políticos da capital federal. Segundo ele, há ainda prometido ao empresário dois apartamentos nos Estados Unidos, um em Miami e outro em Nova York, "FORA o pagamento de TODAS as multas financeiras a que MV foi condenado".


O acerto teria sido feito sob a condição de que as revelações contra Lula sairiam primeiramente na revista Veja. Em setembro, uma reportagem de capa intitulada "Os segredos de Valério" traz frases atribuídas a interlocutores próximos ao empresário apontando o ex-presidente como chefe do 'mensalão'. Segundo o advogado, o dinheiro para pagar Marcos Valério teria vindo de uma "composição financeira" envolvendo empresários, políticos e o próprio dono da semanal, Roberto Civita, quem, segundo ele, seria o responsável pela organização da 'vaquinha'.


Posteriormente à publicação da reportagem, foi levantado um debate na imprensa e nas redes sociais que questionava a veracidade das denúncias e a existência de um áudio que comprovasse a entrevista. O colunista do jornal O Globo, Ricardo Noblat, liderou a defesa à revista, garantindo que havia, sim, uma "fita" com as revelações de Valério. Procurada pelo 247 para comentar as denúncias, a assessoria de imprensa da Editora Abril não respondeu até a publicação dessa reportagem.


Futuro dos filhos


A intenção de Marcos Valério seria "deixar bem os filhos", postou o responsável pelas revelações. Ao 247, o ator acrescentou que há psiquiatras e psicólogos envolvidos e que o publicitário não passa bem. "Cada imóvel teria sido colocado em nome de cada filho de MV. A saída de casa, a "farsa da separação" segundo o advogado bêbado, fazem parte", escreveu José de Abreu, em referência ao acordo. Valério andava muito deprimido e não queria deixar a família sem garantias quando ele fosse para a prisão, conta Abreu.


Falou, tem que provar


As denúncias, porém, teriam de ser provadas. "Uma parte da grana só seria paga se MV conseguisse que abrissem processo contra Lula", escreveu José de Abreu no microblog. Depois de três meses da reportagem publicada por Veja, o jornal O Estado de S.Paulo revelou, nesta semana, parte de um depoimento do empresário à Procuradoria Geral da República feito em 2003, com mais revelações sobre o ex-presidente.





Veja pede abertura de ação criminal contra Lula


: Reportagem deste fim de semana repercute depoimento prestado pelo empresário Marcos Valério em setembro, que foi divulgado pelo Estadão, sem trazer fatos novos; na Carta ao Leitor, a revista afirma que "não adianta dizer que tudo é mentira" e sugere que a quebra do sigilo bancário de Freud Godoy comprovaria a procedência das denúncias

15 de Dezembro de 2012 às 07:35




247 - A revista Veja está na linha de frente da operação "Tiro ao Lula" e, neste fim de semana, retomou o assunto, repercutindo o depoimento prestado por Marcos Valério ao Ministério Público Federal, que foi vazado para o jornal Estado de S. Paulo. Nele, Valério diz que despesas do valerioduto pagaram despesas pessoais do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por meio da empresa Caso, de Freud Godoy, e que teria sido ainda ameaçado de morte por Paulo Okamotto, diretor do Instituto Lula. Em outro trecho, Valério afirma que, após um pedido de Antonio Palocci, a Portugal Telecom teria doado US$ 7 milhões ao PT, por meio de uma subsidiária em Macau.


Neste fim de semana, a revista Veja não traz novidades em relação ao caso. Mas assume sua postura editorial, ao pedir, na Carta ao Leitor, a abertura de uma investigação criminal contra Lula. "Não adianta dizer que tudo é mentira, como fez Lula na semana passada. A incriminação é direta, clara e grave demais para ser desprezada. Ela requer uma investigação". O texto, assinado por Eurípedes Alcântara, diz que Lula está espremido entre dois escândalos: o mensalão e o caso Rosemary.


Internamente, a reportagem de Rodrigo Rangel é intitulada "Ele pagava tudo!", em mais uma aspa atribuída a Valério – em setembro, Veja publicou uma "entrevista" sem áudio com o empresário. O texto sugere que a quebra do sigilo bancário de Freud Godoy comprovaria as acusações de Valério, que diz ter repassado R$ 100 mil para despesas pessoais do ex-presidente. "O elo entre Valério e Godoy fora objeto de investigação no inquérito em curso no STF para apurar aquilo que não foi esclarecido no processo do mensalão. O ministro Joaquim Barbosa, relator também desse inquérito, chegou a autorizar a quebra do sigilo bancário da empresa de Freud. O extrato da conta poderia indicar o destino dado ao dinheiro. Mas, num lapso, o número da conta enviado ao banco junto com a ordem de quebra de sigilo estava errado. Resultado: a polícia encerrou o inquérito sem receber extratos da empresa de Freud. A falha foi atribuída a um perito que integrava a equipe encarregada do inquérito".


A reportagem deixa claro que a caçada a Lula, homenageado ontem nas redes sociais com o movimento "Mexeu com Lula, mexeu comigo", prosseguirá e ganhará intensidade nas próximas semanas. O objetivo é uma ação criminal que o coloque numa espécie de impedimento político. Ontem, também nas redes sociais, o ator José de Abreu denunciou uma suposta trama, que envolveria proteção financeira a Marcos Valério para que ele incriminasse o ex-presidente – o acordo, segundo o ator, incluiria a própria Abril.





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