A secretária especial dos Direitos Humanos, Ideli Salvatti, resumiu a questão da violência no Brasil traçando um perfil que denominou de três “p”, “pobre, preto e da periferia”. O representante da Unicef, Gary Stahl, afirmou que a cada hora morre um adolescente negro no país. Segundo ele, o número só fica atrás da Nigéria.
A vulnerabilidade social e econômica da juventude está produzindo resultados preocupantes. Segundo Geovani Facó, além da necessidade uma polícia integrada a outras ações de prevenção e mediação, é preciso oferecer políticas públicas de habitação, educação, trabalho e renda. Tem que facilitar ao jovem o acesso a oportunidades concretas de desenvolvimento. Atualmente, conforme o pesquisador, o mercado do crime oferece aos adolescentes “os instrumentos de trabalho, que são as armas. E a grande maioria dos crimes contra os jovens é praticada com armas de fogo. É preciso mudar essas distorções”.
Protagonismo Juvenil
De olho da elevada taxa de homicídios de jovens, a Coordenadoria Especial de Políticas Públicas da Juventude (CEPPJ) afirma que tem como prioridade a promoção dos direitos da juventude, integrando e fortalecendo as estratégias de promoção dos direitos humanos e garantindo relações equânimes de gênero, raça/etnia, acessibilidade e diversidade sexual.
“O enfrentamento é tido como prioridade. Deve-se ressaltar que a CEPPJ desenvolve projetos que atuam de forma preventiva e que tocam diretamente na redução desses índices. Na Rede Cuca (Barra, Mondubim e Jangurussu) existe a supervisão de mediação de conflitos a qual desenvolve ações em parceria com núcleos de mediação do Ministério Público. Os Cucas recebem jovens que cumprem medidas socioeducativas (centros educacionais, centros de semi liberdade, prestação de trabalho nos Cucas). Além disso, desenvolvem essa metodologia em praças, associações e sedes comunitárias”, garante a CEPPJ.
Há um processo de formação e sensibilização dos jovens, utilizando fortemente a arte urbana e coletivos em cada um dos Cucas, que trabalham ativamente a redução dos conflitos territoriais através da arte. A Rede Cuca está promovendo, entre os dias 27 e 31 de janeiro, a Semana da Paz e Não Violência. A programação é uma alusão ao Dia da Não Violência, celebrado em 30 de janeiro. A programação conta com encontros que abordam aspectos sobre conflitos territoriais em alusão a essa temática e realizadas diversas intervenções com arte urbana.
A formação também é outro aspecto das linhas de atuação da CEPPJ que, além dos Cucas, aparece como área a ser estimulada em projetos como Academia Enem e ProJovem Urbano. Esses projetos integram o Programa Integrado de Políticas Públicas de Juventude (PIPPJ) que possui financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) visando a intervenção direta em nosso público mais vulnerável. Segundo a Coordenadoria, está em negociação um novo contrato de empréstimo juntamente com a Saúde que prevê a criação de mais três Cucas e o fortalecimento dos projetos de juventude executados pelas secretarias do Município.
Mais informações: Coordenadoria Especial de Políticas Públicas de Juventude – (fone: 85 3105 1464)
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